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GAROTAS MORTAS - ALMADA SELVA

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A estreia da escritora Selva Almada no Brasil foi emcom o romance O vento que arrasapela extinta Cosac Naify. E todos em cidades do interior, todos sem um culpado preso, todos sujos pela mesma violência de gênero. Garotas mortas é o segundo livro de uma autora argentina a falar sobre feminicídio, lançado no Brasil em menos de um ano. O primeiro foi As coisas que perdemos no fogocoletânea de contos de terror de Mariana Enriquez, que relatava mulheres que se protegiam dos seus agressores lançando chamas contra os próprios corpos. Sua voz quer entender o porquê de uma mulher ser morta apenas por ser mulher. Entender o porquê de uma mulher, como aconteceu com Andrea Dunni, poder ser assassinada dentro da sua própria casa, em sua própria cama, com os pais dormindo ali do lado. Garotas mortas olha para a banalidade que as palavras garota e morta ganharam em meio à sociedade. Era quem podia te violentar se você andasse sozinha tarde da noite ou se aventurasse por lugares desertos. As mortes daquelas garotas lhe simbolizaram que o agressor podia também ser o pai, o namorado, o amigo de total confiança… Qualquer um.

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Andréa Danne, 19 anos, Maria Luisa Quevedo, 15 anos, e Sarita Mundín, 20 anos, integraram as estatísticas de crimes violentos cometidos contra mulheres, logo depois da abertura política naquele país. Andréa Danne morava a vinte quilômetros de onde a narradora residia, em Villa Elisa, no centro-leste da província de Entre Rios. Maria Luísa Quevedo desapareceu depois do expediente de trabalho quanto empregada doméstica e foi encontrada violentada e estrangulada num terreno baldio. Seu corpo foi encontrado às margens de um rio, pendurado num galho. Suas filhas iam à mesma escola que eu. Ela o denunciou por estupro. Fazia tempo que, além de lhe bater, açougueiro abusava sexualmente dela. Nos meus doze anos, essa notícia me impressionou enormemente. Como é que podia o marido estuprar a própria mulher?

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O feminicídio é um problema global. Entre 15 e 21 anos, as garotas Maria Luisa Quevedo, Andrea Danne e Sarita Mundín tiveram suas histórias interrompidas de forma violenta, e mesmo 30 anos depois do acontecido, a ruína dessas meninas permanece um mistério. No Brasil, temos a nossa própria cota-parte de garotas mortas sem culpados. Emem pleno governo militar, a morte de uma menina de 7 anos em Brasília, Ana Lídia, abalou a tranquilidade da cidade que parecia uma pacata capital.

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